
Há momentos na vida pública, assim como na privada em que o líder precisa lembrar o porquê está à frente. Não basta a faixa, o cargo, a caneta ou a cadeira. É preciso presença. Liderança de verdade não se exerce por procuração. Quando o comandante se ausenta ou se omite, ainda que esteja fisicamente presente, o barco tende a perder o rumo. E nesse vácuo, o que cresce? A oposição. A desordem. A sensação de que cada um pode tocar a sua própria banda.
Em empresas privadas, onde resultado é o que sustenta o negócio, não há espaço para amadorismo. Um CEO que perde o controle do que seus gerentes fazem, que confia cegamente em relatórios maquiados, ou que entrega setores inteiros a pessoas despreparadas, está cavando o próprio fracasso. No setor público, não deveria ser diferente. Mas, às vezes, é.
Liderar é também carregar o peso dos erros alheios. Porque, no fim das contas, a responsabilidade é de quem está no topo. E se quem está no topo não sabe o que acontece na base ou finge não saber, a falha não é apenas de comunicação, é de gestão. O líder não pode se deixar levar pelo canto suave dos que dizem que “está tudo bem” quando há problemas visíveis a olho nu. Às vezes, o maior inimigo de uma gestão não está fora, mas dentro, disfarçado de aliado.
A Bíblia, em 1 Tessalonicenses 5:21, aconselha: “Examinai tudo. Retende o que é bom.” Esse é um princípio que serve para o púlpito, para o plenário e para a presidência de qualquer organização. Ouvir todos? Sim. Reter tudo? Jamais. É preciso separar com sabedoria o que constrói do que atrapalha, o que agrega do que sabota.
Liderar exige firmeza. Não se trata de autoritarismo, mas de autoridade. De saber a hora de ser duro, a hora de intervir, a hora de dizer “basta”. Quem não impõe respeito nos momentos certos, acaba sendo engolido pelo caos. E a história está cheia de gestores que confundiram gentileza com fraqueza, e acabaram dominados por aqueles que deveriam servir.
Não se governa por discurso, mas por atitude. O líder que perde o pulso, perde o rumo. E quando o comandante se cala, outros tomam a palavra, nem sempre os melhores.