
Em um passo importante na luta contra a criminalidade, a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, assinou na noite desta segunda-feira (14), ao lado da vice-governadora Priscila Krause, de prefeitos e representantes da Organização das Nações Unidas (ONU), a Carta Compromisso “Construindo Planos de Prevenção”. O documento oficializa a parceria entre o Governo de Pernambuco e o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) para a implementação de ações de combate à violência em dez municípios do Estado.
A cerimônia de assinatura ocorreu durante a reunião semanal do programa Juntos pela Segurança, na sede da Secretaria de Planejamento, Gestão e Desenvolvimento Regional (Seplag), no Recife. O objetivo da iniciativa é articular políticas públicas baseadas em evidências, integrando as gestões locais e internacionais em busca de soluções sustentáveis para a redução da criminalidade.
Contudo, apesar do caráter abrangente e do envolvimento com organismos internacionais, chama atenção e causa estranheza a ausência do município do Cabo de Santo Agostinho na lista dos contemplados. A cidade, que figura entre as mais violentas do Brasil segundo diversos indicadores de segurança pública, foi simplesmente ignorada pela gestão estadual.
O prefeito do Cabo, Lula Cabral, tem demonstrado constante preocupação com a escalada da violência no município. Em uma medida de urgência, chegou a solicitar à governadora o envio da Força Nacional de Segurança, um pedido que não foi atendido. Agora, com o Cabo excluído dessa nova estratégia que envolve a ONU, a omissão ganha contornos ainda mais graves.
A decisão levanta suspeitas de motivação político-partidária, já que Lula Cabral é adversário político de Raquel Lyra. Se confirmado, o uso da segurança pública como instrumento de retaliação política seria uma postura inadmissível e perigosa, especialmente diante da realidade enfrentada diariamente por milhares de cabenses.
Enquanto cidades com índices inferiores de violência recebem suporte e visibilidade no programa, o Cabo de Santo Agostinho segue à margem, com sua população refém da criminalidade. O combate à violência deve ser uma prioridade de Estado, não um campo de disputas políticas.
A governadora ainda não se manifestou sobre os critérios que levaram à exclusão do município. O que se espera é que o bom senso e a responsabilidade institucional prevaleçam e que o povo do Cabo não continue pagando o preço de possíveis picuinhas políticas.