
Se existe algo que os últimos dias deixaram claro é que a simples instalação da CPI da Publicidade na Assembleia Legislativa de Pernambuco mexeu profundamente com os alicerces do Governo Raquel Lyra. O tom exaltado, os ataques aos deputados e a tentativa de desviar o debate para narrativas de “perseguição política” revelam uma verdade incômoda: há algo a temer. E quando o medo é grande, a reação costuma ser ainda maior.
O questionamento que ecoa é direto e inevitável: por que tanto desespero com uma CPI? Se os contratos de publicidade e a aplicação dos recursos da comunicação governamental seguem dentro da normalidade, com transparência e legalidade, não haveria motivo para tanta resistência. Uma investigação parlamentar não deveria amedrontar quem nada tem a esconder. Mas o que se viu na última semana foi um governo que, ao invés de se mostrar disposto a colaborar, preferiu partir para a ofensiva contra a própria Assembleia, inclusive alimentando uma crise política sem precedentes.
O episódio mais marcante ocorreu quando o presidente da Alepe, deputado Álvaro Porto, usou a tribuna para denunciar a existência de uma suposta “milícia digital” operando contra parlamentares. Segundo Porto, as ações dessa rede teriam origem no próprio gabinete da governadora. Trata-se de uma acusação de extrema gravidade, que precisa de apuração rigorosa e que, inevitavelmente, confere ainda mais relevância à CPI da Publicidade. Afinal, se antes havia apenas suspeitas sobre o mau uso dos recursos da comunicação, agora a denúncia lança luz sobre um possível esquema de perseguição política sustentado pela máquina pública.
O que está em jogo não é apenas a transparência dos contratos de mídia, mas a defesa da separação dos poderes, o respeito ao Parlamento e a garantia de que o dinheiro público não esteja sendo usado para atacar adversários. O governo Raquel Lyra pode até tentar se blindar, mas a cada gesto de nervosismo e tentativa de desqualificar a investigação, reforça a percepção de que há, sim, algo de muito grave a ser esclarecido.
No fim das contas, a pergunta continua ecoando pelos corredores da Alepe e nas ruas: o que tanto se teme na CPI da Publicidade? Talvez, em breve, os pernambucanos descubram.