
A segurança pública deixou de ser apenas um item da agenda administrativa para se tornar o centro da preocupação do cidadão brasileiro. As grandes operações policiais recentes, embora necessárias, escancararam uma realidade incômoda: o Estado reage, mas não consegue antecipar. E quando o poder público apenas corre atrás do prejuízo, quem paga a conta é a população, refém do medo, da insegurança e da sensação de abandono.
Esse cenário não é isolado. Ele se espalha pelo país e, inevitavelmente, vai pautar o debate político nacional e estadual no próximo ano. Não há discurso econômico, social ou ideológico que sobreviva quando o cidadão tem medo de sair de casa, de voltar do trabalho ou de ver seus filhos circulando pelas ruas.
Em Pernambuco, o quadro é ainda mais sensível. O estado vive uma onda de medo, marcada por crimes violentos, sensação de impunidade e, sobretudo, por uma escalada alarmante dos feminicídios. Mulheres seguem sendo assassinadas de forma brutal, semana após semana, enquanto o Governo do Estado parece caminhar sem rumo claro nessa pauta. Há discursos, há notas oficiais, há promessas, mas os números seguem desafiando qualquer narrativa otimista.
O enfrentamento à violência contra a mulher exige mais do que campanhas pontuais. Requer política pública estruturada, presença do Estado nos territórios, integração entre segurança, assistência social e justiça, além de respostas rápidas e efetivas. O que se vê, porém, é um governo que tem levado um verdadeiro nó nesse tema, incapaz de oferecer à sociedade uma estratégia convincente.
A consequência é direta: cresce a desconfiança da população e se aprofunda a percepção de fragilidade institucional. Quando o Estado falha em proteger suas mulheres, falha em seu papel mais básico. E essa falha não passa despercebida, nem nas ruas, nem nas urnas.
À medida que o calendário eleitoral se aproxima, a segurança pública se consolida como divisor de águas. Governos serão cobrados não pelo que anunciam, mas pelo que entregam. E candidatos não poderão mais tratar o tema como promessa genérica ou discurso de ocasião. O eleitor quer saber quem tem preparo, coragem e competência para enfrentar o crime de frente.
Em Pernambuco, o recado é claro: ou o Governo do Estado muda o rumo, assume o problema e apresenta resultados concretos, ou a insegurança continuará sendo o principal combustível do debate político. Porque, no fim das contas, quando o medo domina o cotidiano, a política deixa de ser ideológica e passa a ser existencial.
E nessa disputa, vence quem convencer que pode devolver à população algo que hoje parece cada vez mais raro: o direito de viver sem medo.
Por: Uanderson Melo



