
Nos bastidores da política pernambucana, um movimento chama atenção não apenas pelo gesto, mas pelo que ele revela: o PT dá sinais claros de que está disposto a rachar com o PSB, seu aliado histórico no Estado, se isso for conveniente ao seu projeto nacional. A aproximação do senador Humberto Costa com a governadora Raquel Lyra e as declarações do ex-prefeito João Paulo, defendendo um palanque triplo, não são fatos isolados, fazem parte de uma estratégia conhecida e recorrente do Partido dos Trabalhadores.
O PT nunca foi um partido de alianças permanentes; sempre foi um partido de alianças circunstanciais. Onde houver possibilidade de ampliar poder, influência ou viabilidade eleitoral para seu projeto central, o partido avança, ainda que isso signifique romper com aliados históricos. Em Pernambuco, o PSB sabe disso melhor do que ninguém.
A fala de João Paulo, ao sugerir que o “correto” seria um palanque triplo, traduz com clareza a lógica petista: não importa a coerência política local, importa garantir espaço para Lula em 2026. Todo o resto é negociável. Governos estaduais, alianças regionais, projetos locais, tudo pode ser rearranjado, fragmentado ou sacrificado em nome da reeleição presidencial.
A aproximação de Humberto Costa com Raquel Lyra reforça essa leitura. Não se trata de afinidade ideológica, muito menos de convergência administrativa. Trata-se de movimento tático. O PT percebe que Pernambuco vive um redesenho político, com Raquel consolidando espaço institucional e o PSB tentando se reorganizar após perder o comando do Estado. Nesse cenário, o partido prefere não apostar todas as fichas em um aliado que já não detém o poder estadual.
Esse comportamento, longe de ser novidade, é quase uma marca registrada do PT. O partido vive de divisões. Dividiu o país entre “nós e eles”, alimentou polarizações sociais profundas e, internamente, sempre conviveu com rachas, disputas de correntes e conflitos de poder. Quando lhe convém, divide aliados; quando necessário, divide até a própria base.
Em Pernambuco, o risco para o PSB é evidente. Ao longo de décadas, foi parceiro fiel do projeto petista, sustentou palanques, cedeu espaço e construiu pontes. Agora, vê o aliado histórico flertar com a governadora de outro campo político, não por convicção, mas por cálculo. É a política em seu estado mais cru.
No fundo, o que se desenha é um PT cada vez menos preocupado com projetos regionais e cada vez mais obcecado com seu objetivo máximo: manter Lula no poder. Se para isso for necessário fragmentar alianças, tensionar bases e gerar confusão no eleitorado, o partido seguirá em frente sem constrangimento.
A pergunta que fica não é se o PT vai rachar com o PSB, os sinais indicam que isso já está em curso. A pergunta real é quem ainda se surpreende. A história mostra que, para o PT, alianças são meios, nunca fins. E Pernambuco, mais uma vez, parece prestes a sentir os efeitos dessa lógica.



