
Marcada para a próxima segunda-feira (02/02), na Rede Municipal de Ensino, a volta às aulas pode representar um momento de desafio emocional para muitas crianças. A mudança de rotina, o afastamento dos pais ou cuidadores, bem como o novo ambiente e as demandas sociais da escola, podem provocar sentimentos de ansiedade e insegurança. Essas reações podem se manifestar de diversas formas, em menor ou maior intensidade, como choro intenso, irritabilidade, resistência em ir à escola, alterações no comportamento e, até mesmo, por meio de dores de cabeça, dores abdominais e náuseas.
“Após dias de maior convivência com a família, é comum que surjam inseguranças ao retomar a rotina escolar. Nesse contexto, pode aparecer a chamada ansiedade de separação, um sentimento marcado pelo medo ou desconforto quando a criança precisa se afastar dos pais ou cuidadores. Trata-se de uma reação esperada em algumas fases do desenvolvimento infantil, especialmente após períodos prolongados em casa”, explica a psicóloga do Centro TEA da Unidade Pública de Atenção Especializada Dr. Cyro de Andrade Lima (UPA-E Mustardinha), Bárbara Lima.
Nesse sentido, a volta às aulas deve ser compreendida não apenas como um recomeço das atividades escolares, mas como um processo de cuidado, escuta e construção de vínculos. Assim, a adaptação à rotina escolar precisa ser construída de forma gradual, respeitosa e previsível, considerando o tempo e as necessidades individuais de cada criança.
Estratégias simples, como brincadeiras que trabalham a noção de separação temporária, explicações claras sobre a rotina e despedidas tranquilas, contribuem para uma adaptação mais saudável. “Antecipar a rotina, conversar de forma clara sobre a escola, manter rituais de despedida seguros e validar os sentimentos da criança são atitudes que promovem confiança e segurança emocional”, destaca a psicopedagoga Adriana Lago.
Momentos de lazer e diversão também podem ser utilizados como estratégias de acolhimento. “Para ajudar a criança a lidar com esses sentimentos, os pais podem adotar abordagens divertidas e lúdicas, como a brincadeira de esconde-esconde, que ajuda a criança a compreender, de forma simbólica, que a separação é temporária e que o reencontro sempre acontece. Também é importante ter cuidados redobrados, como não sair escondido da criança, pois isso pode aumentar a insegurança”, completa Bárbara.




