
A deputada federal Clarissa Tércio (PP-PE) criticou, nesta quarta-feira (11), a eleição da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. Para Clarissa, a escolha representa uma distorção do propósito original da comissão, criada para representar e defender pautas específicas das mulheres brasileiras.
Durante sua manifestação, a parlamentar afirmou que a comissão foi instituída para garantir que mulheres tenham voz na discussão de temas que dizem respeito diretamente às suas realidades biológicas e sociais.
Clarissa Tércio também ressaltou que a criação da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher não ocorreu por acaso, mas como resultado de uma longa luta feminina por representatividade.
“Se essa eleição ocorresse com as mulheres biológicas, com toda certeza você não estaria hoje sentada nessa cadeira. Então a gente tem que lembrar para que essa comissão da defesa dos direitos da mulher foi criada. Não foi criada por acaso. Ela foi criada porque mulheres brasileiras têm suas necessidades e elas precisam ter suas necessidades representadas por mulheres”, afirmou.
A deputada questionou ainda a capacidade de representação de Erika Hilton em temas ligados à saúde e às experiências próprias do universo feminino.
“Como eu posso ser representada por uma pessoa que não entende o que eu passo? Como que a gente vai colocar aqui uma pessoa que nunca gerou, nunca amamentou, que nunca menstruou, que não sabe o que é saúde da mulher, para representar o que as mulheres brasileiras pensam? Falar sobre violência da mulher, desigualdade do trabalho. Isso é algo muito claro pra todos nós. Essa comissão nasceu para dar voz às mulheres, porque só quem vive essa realidade é que tem propriedade para falar sobre elas”, expressou Clarissa.
Por fim, a deputada afirmou que as mulheres vêm perdendo espaços conquistados ao longo de décadas de luta.
“As mulheres lutaram muito para conquistar seus espaços e a gente vai perdendo nossos espaços. E o maior absurdo é ver mulheres biológicas concordando com isso. A gente perde espaço nos esportes, nos banheiros, e agora na comissão da mulher”, concluiu.



