
Para promover, fomentar e celebrar a produção cultural em todos os territórios do Recife, nas mais diferentes linguagens que a cidade utiliza para expressar seus talentos, tradições e vocações, o prefeito do Recife, João Campos, e o vice-prefeito, Victor Marques, reuniram fazedores de cultura no Teatro do Parque, na noite desta terça-feira (24), para anunciar o Acelera Cultura, um pacote de políticas públicas continuadas. Entre ações, legislações, inovações e programações, o objetivo da iniciativa é garantir o encontro do Recife com sua produção artística ao longo dos próximos meses, confirmando a cultura como motor de cidadania, esperança e futuro.
“Eu fico muito feliz com esse novo projeto, porque conseguir plantar uma semente de incentivo cultural nas nossas escolas é deixar um legado para as próximas gerações, no mínimo, terem respeito pela nossa cultura. Todos nós um dia passaremos, por isso temos a obrigação de fortalecer e garantir proteções legítimas para nossa cultura”, pontuou o prefeito João Campos.
O Acelera Cultura visa fortalecer a vida cultural do Recife a partir dos territórios, apoiando artistas, coletivos e espaços que já movem a produção artística nos bairros. O programa amplia o acesso, descentraliza recursos e transforma a cultura em instrumento de pertencimento, cuidado e desenvolvimento local, a partir de quatro eixos: mapeamento dos territórios culturais; desburocratização; fomento; e fruição, difusão e formação.
A ministra da Cultura do Brasil, Margareth Menezes, esteve presente no lançamento do Acelera Cultura e destacou a importância da cultura pernambucana no país. “É um prazer estar aqui no Recife para fazer o lançamento de uma política muito importante para o Ministério da Cultura e para o setor audiovisual brasileiro. A gente vê Pernambuco brilhando nos cinemas mundiais e isso é muito importante. O filme ‘O Agente Secreto’ foi um presente que os brasileiros receberam porque ele nos une em uma pauta só. A cultura e a arte unem o sentimento de um povo”, destacou.
Numa iniciativa inédita na cidade, o poder público municipal fará um levantamento dos fazedores de cultura e dos territórios onde as tradições nascem e são repassadas, mobilizando comunidades inteiras, em alguns casos há muitas gerações. O mapeamento oferecerá à gestão municipal uma perspectiva ampla e detalhada da produção cultural recifense, em suas potencialidades e necessidades, para orientar políticas públicas mais efetivas, descentralizadas e georreferenciadas.
“Primeiro, a Prefeitura faz um mapeamento para entender o que já existe em cada região e o que está faltando. Depois, escolhe e financia alguns espaços ou iniciativas culturais para que funcionem como centralidades culturais: pontos de referência em cada território. Por fim, o poder público chega nesses locais oferecendo formação, qualificação, oportunidade e apoio para os fazedores de cultura”, detalhou a secretária de Cultura, Milu Megale.
A desburocratização dos processos que asseguram a cultura nas ruas e nos palcos também é um dos focos do plano, que já em seu anúncio confirmou três novidades. Uma delas é o decreto municipal do Marco Regulatório do Fomento, que consolida instrumentos, moderniza fluxos e simplifica a prestação de contas dos fazedores de cultura.
A segunda é o projeto de lei do Plano Municipal de Cultura 2026-2036, documento norteador do próximo decênio, com metas e indicadores, formulado junto à sociedade civil, representada pelo Conselho Municipal de Política Cultural. Por fim, foi assinada também a revisão da Lei do Patrimônio Vivo, permitindo que os próprios candidatos possam propor e defender suas candidaturas. Os três documentos seguirão tramitação no Legislativo municipal.
Na perspectiva do fomento, a Prefeitura do Recife anunciou o edital Recife é Coisa de Cinema, que garantirá R$ 2 milhões de investimento no audiovisual local, além de R$ 10 milhões de contrapartida do Governo Federal. “Serão R$ 12 milhões exclusivamente dedicados ao nosso cinema”, ressaltou o presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife, Marcelo Canuto.
Também foram anunciados novos editais do Sistema de Incentivo à Cultura (SIC), que abrirão inscrições no próximo dia 6 de abril, garantindo R$ 14 milhões para diversas linguagens culturais. Somam-se ainda R$ 10 milhões da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB).
Entre as novidades está a retomada da Semana de Artes Visuais do Recife (SPA), que acontecerá de 19 a 27 de setembro, além de uma ampla agenda cultural no segundo semestre.
Para fortalecer a relação entre cultura e educação, foi anunciado o projeto Educultura, parceria entre as secretarias de Cultura e Educação, que levará música, dança, teatro e artes visuais para dentro das escolas municipais.



