
Entre os dias 11 e 13 de fevereiro de 2025, prefeitos de todo o Brasil desembarcaram em Brasília para participar do Encontro Nacional de Prefeitos e Prefeitas. O evento, promovido pelo Governo Federal, foi um momento crucial para que os gestores municipais buscassem recursos, estabelecessem contatos e reforçassem suas demandas junto aos três poderes. No entanto, enquanto os prefeitos circulavam em busca de apoio, a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, tentou centralizar as atenções para si ao montar um espaço exclusivo para recepcionar os gestores do estado. O problema? A seleção criteriosa de quem poderia ou não ser atendido.
Ao escolher receber apenas prefeitos aliados, Raquel Lyra cometeu um erro político primário e demonstrou uma postura que não condiz com o cargo que ocupa. Como governadora, sua obrigação é representar e atender a todos os pernambucanos, independentemente da coloração partidária dos gestores municipais. No entanto, ao ignorar prefeitos de oposição, ela reforçou a imagem de um governo que opera com base em preferências políticas, e não na gestão democrática.
A estratégia de Raquel Lyra contrasta diretamente com a postura do prefeito do Recife, João Campos. Diferente da governadora, João tem demonstrado uma habilidade política notável ao dialogar com diversos grupos e atuar de maneira abrangente. Seu trânsito político, tanto em Pernambuco quanto em Brasília, tem sido um fator determinante para sua ascensão no cenário político estadual. Enquanto Raquel adota uma abordagem restritiva e seletiva, João Campos fortalece sua imagem de articulador e de gestor que compreende a importância do diálogo com todas as correntes políticas.
A governadora, que ainda luta para consolidar sua administração, perde mais uma oportunidade de demonstrar que governa para todos. Esse tipo de erro, aparentemente pequeno, reflete um dos principais entraves de sua gestão: a dificuldade em se colocar acima das disputas partidárias e atuar como uma verdadeira líder estadual. Ao preferir atender apenas aliados e ignorar opositores, ela não apenas cria divisões desnecessárias, mas também reforça a percepção de que seu governo ainda não encontrou o rumo certo.
A peregrinação dos prefeitos em Brasília é um reflexo das dificuldades enfrentadas pelos municípios, que dependem cada vez mais da União para garantir recursos e projetos. Raquel Lyra deveria ter aproveitado esse momento para consolidar sua liderança, aproximar-se dos gestores municipais e fortalecer sua influência política. Em vez disso, sua postura excludente apenas reafirma a fragilidade de seu governo, que segue sem engrenar e cada vez mais ofuscado pela articulação de seus rivais.