
Em um movimento político calculado, a oposição na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) assegurou o domínio da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigará contratos de publicidade firmados pelo governo da governadora Raquel Lyra (PSD).
A sessão de instalação da CPI foi realizada na manhã de terça-feira (19), presidida inicialmente pela deputada Dani Portela (PSOL), autora do requerimento. Na ocasião, foram eleitos os membros dos cargos principais:
- Presidente: Diogo Moraes (PSDB)
- Vice-presidente: Antônio Coelho (União Brasil)
- Relator: Waldemar Borges (MDB)
Além destes, fazem parte da CPI como titulares Dani Portela (PSOL) e Rodrigo Farias (PSB). João Paulo (PT), Antônio Moraes (PP), Wanderson Florêncio (Solidariedade) e Nino de Enoque (PL) representam a base do governo.
A virada no quadro político da CPI foi possível graças a uma série de trocas partidárias estrategicamente articuladas pela oposição:
- Diogo Moraes deixou o PSB e se filiou ao PSDB.
- Waldemar Borges migrou do PSB para o MDB.
- Júnior Matuto passou do PSB para o PRD.
Essas movimentações enfraqueceram o “blocão” governista e permitiram que a oposição obtivesse cinco das nove cadeiras titulares da CPI — um placar decisivo de 5 a 4.
A manobra deixou o governo em situação delicada. A governadora Raquel Lyra criticou duramente os movimentos da oposição em discurso realizado no evento “Ouvir para Mudar”, em Carpina, afirmando que tais ações não dignificam o Legislativo pernambucano.
A CPI investigará suspeitas relacionadas a contratos bilionários e um suposto financiamento do que os parlamentares nomearam como “milícia digital” e “gabinete do ódio”. O Tribunal de Contas do Estado (TCE) chegou a suspender o contrato, mas a medida foi derrubada pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), e o Supremo Tribunal Federal (STF) negou liminar ao recurso do TCE.