
O presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, deputado Álvaro Porto, afirmou, nesta terça-feira (30.12), que a omissão do governo estadual com a segurança pública levou Pernambuco a encerrar 2025 na vitrine da violência nacional.
“Não bastassem os quase dez mil assassinatos registrados nestes três anos da atual gestão estadual, a recente agressão aos turistas em Porto de Galinhas, um dos principais polos turísticos do Brasil, envergonha o estado e exibe para o país inteiro a insegurança que vivemos”, afirmou.
“Ficou evidente a falta de policiamento no mais procurado destino turístico de Pernambuco, completou. Para ele, é impossível terminar 2025 sem deixar de denunciar o descaso com a segurança pública. “Vemos uma omissão contínua que preocupa e amedronta os pernambucanos. Aquela área de Porto de Galinhas vem registrando crescimento de crimes há alguns anos e não se vê ações que se antecipem à ação de bandidos. É inadmissível que o governo esteja sempre correndo atrás dos fatos e criando uma narrativa fictícia para tentar amenizar a situação de descontrole da violência”, disse.
Porto destacou que os assassinatos seguem aumentando no estado. Lembrou que no acumulado de 2025, o total já ultrapassa a alarmante marca de 3 mil vidas perdidas para a criminalidade. Já a soma dos assassinatos ocorridos em dois anos e 11 meses de gestão, chega a mais 9.816.
“Só neste último fim de semana, foram registrados mais 30 homicídios em Pernambuco. E a tendência, infelizmente, é que a totalização dos dados de dezembro imprima uma marca cruel para o nosso estado: em três anos a atual gestão pode responder por 10 mil assassinatos”, ressaltou.
O deputado lembrou que os casos de feminicídio também só crescem e assinalou que, até novembro, 82 mulheres foram mortas de forma violenta em Pernambuco, mantendo o estado na liderança deste tipo crime no país.
“É importante lembrar que a Alepe vem cobrando, sem sucesso, a criação de estruturas específicas para o atendimento de mulheres vítimas de violência. Esta inoperância lamentável da gestão contribui diretamente para que Pernambuco seja o estado com maior número de mulheres que vem sendo mortas simplesmente por serem mulheres”, disse.
Segundo ele, os números desnudam a fragilidade dos mecanismos preventivos e protetivos estaduais. “O mais triste é que esta realidade se instala justamente quando Pernambuco é governado por duas mulheres. Embora faça anúncios de melhorias e avanços, a gestão se mostra incapaz de deter essa escalada de insegurança”.
Na avaliação do presidente da Alepe, a estrutura posta em funcionamento pelo governo só confirma e colabora para perpetuação da ineficiência. Isso porque embora Pernambuco some 184 municípios, o estado dispõe de apenas 15 Delegacias da Mulher, das quais somente 7 funcionam 24 horas.
Essa deficiência, lembra Porto, contraria a Lei Federal nº 14.541/2023, que determina o funcionamento ininterrupto das delegacias da mulher, inclusive nos finais de semana, exatamente quando acontecem o aumento da violência doméstica.
“A inexistência de plantão contínuo gera demora no atendimento, fragilidade na concessão de medidas protetivas e subnotificação de crimes graves”, observou.
Outro aspecto que envergonha Pernambuco e reafirma a incompetência do governo é, de acordo a avaliação do deputado, o desrespeito com os policiais civis. De fato, há meses a categoria vem trazendo a público a precariedade das condições de trabalho e a desumanização e desvalorização da categoria.
“As limitações impostas pelo governo aos policiais se refletem na atuação cada vez mais articulada e violenta de facções e grupos estruturados, com presença nas áreas urbanas e no interior, evidenciando uma expansão territorial e organizacional do crime”, disse.
Os policiais denunciam também a inexistência de instrumentos para o registro de crimes, uma realidade que, alerta Porto, interfere diretamente nos dados de Segurança Publica em Pernambuco. “Isso significa que dados apresentados como oficiais, segundo os próprios policiais, não são confiáveis, uma vez que crimes ocorridos não estão sendo plenamente registrados”.
O parlamentar destaca ainda que, mesmo depois de a governadora afirmar, em novembro, que iria ‘assumir a segurança pública’, acrescentando que se tratava de um problema dela e que ‘não poderia se esconder disso’, o quadro só agrava.
“Isso quer dizer que a falta de comprometimento da governadora com a segurança, admitida por ela própria em novembro, continua.
Na publicidade oficial e nas redes sociais o governo tentar criar um clima de segurança, com imagens e frases feitas. Na vida real, os números e os fatos vistos em Pernambuco desmentem as estatísticas e os dados mantidos sob controle pelo governo”, frisou.
Na opinião do deputado, o compromisso que o governo tem demonstrado com a segurança até agora, lamentavelmente, tem sido apenas com a espetacularização das cerimônias de nomeações de policiais e de entrega de veículos e armas.
“Nestas ocasiões vemos voos de drones, expressões estudadas, frases feitas e vídeos bem produzidos para a propaganda governamental. No mundo real, faltam resultados, falta segurança pública. Sobra a ineficiência que produz medo, luto, sofrimento e, agora, vergonha expostas para o país inteiro”, afirmou.



