
A decisão da Justiça Eleitoral de cassar, nesta terça-feira (19), os mandatos de vereadores eleitos em 2024 pelos partidos PSD, PSB e Republicanos em Palmares, na Mata Sul, já começa a redesenhar o cenário político da cidade. A sentença, assinada pelo juiz Diego Vieira Lima, da 37ª Zona Eleitoral, reconheceu fraude à cota de gênero e determinou a anulação dos votos das legendas, além da recontagem que deve alterar a correlação de forças na Câmara Municipal.
Com a decisão, Will do Conselho, Toinho Enfermeiro e Júnior Leão (PSD), Léo Dunda (Republicanos) e Nicholas Alves (PSB) perdem seus mandatos, deixando um vácuo representativo para seus eleitores e abrindo espaço para que suplentes de outras coligações possam assumir.
Mais do que uma disputa jurídica, a cassação atinge em cheio a organização política das siglas envolvidas. O PSD, que vinha tentando ampliar sua presença na região, sofre um revés considerável, perdendo três vereadores de uma só vez. Já o Republicanos e o PSB, que contavam com assentos estratégicos na Câmara, também veem sua força diminuída.
A reconfiguração pode fortalecer partidos menores ou grupos até então em posição secundária, capazes de ocupar essas cadeiras após a recontagem. Esse movimento tende a redefinir alianças, compromissos e estratégias de poder dentro da Casa Legislativa.
Do ponto de vista político, a decisão também funciona como alerta para as legendas: práticas de “candidaturas laranjas” ou apenas formais não passarão despercebidas pela Justiça Eleitoral, especialmente em Pernambuco, onde já houve casos semelhantes em municípios como Amaraji e Serra Talhada.
O processo ainda cabe recurso no TRE-PE, mas até lá, o impacto já está dado. Palmares entra para a lista de cidades que sofreram abalos institucionais por conta da má condução das cotas de gênero, expondo que a falta de atenção à legislação eleitoral pode custar caro — não só aos candidatos, mas também à governabilidade no legislativo municipal.