
Os acidentes envolvendo motociclistas continuam em destaque nas emergências dos hospitais públicos da Região Metropolitana do Recife. Dados dos Hospitais Miguel Arraes (em Paulista) e Dom Helder Câmara (no Cabo de Santo Agostinho), administrados pela Fundação Gestão Hospitalar (FGH), mostram que, de janeiro a junho deste ano, 576 pessoas foram atendidas após acidentes com motocicletas 497 no Miguel Arraes e 79 no Dom Helder.
O levantamento, divulgado no domingo (27 de julho), Dia do Motociclista, revela um padrão preocupante: homens jovens, entre 20 e 39 anos, representam a maioria das vítimas. No Miguel Arraes, 83% dos acidentados eram homens, com faixa etária predominante entre 20 e 39 anos (310 vítimas). Já no Dom Helder, 68,6% dos pacientes atendidos também eram do sexo masculino, com 56 vítimas na mesma faixa etária.
A principal causa dos atendimentos foi colisão, representando 69,4% dos casos no Miguel Arraes e 45,7% no Dom Helder. A imprudência no trânsito chama atenção: 123 condutores não possuíam habilitação (24,7%), e 40 não usavam capacete (8%). No Dom Helder, sete pacientes estavam sem capacete e cinco não possuíam habilitação no momento do acidente.
Fins de semana concentram os maiores números: somente aos sábados e domingos, foram 217 registros de acidentes nos hospitais. As regiões mais afetadas nos corpos das vítimas foram os membros superiores e inferiores. Fraturas foram a lesão mais comum, sendo 414 no Miguel Arraes e 56 no Dom Helder, seguidas de lacerações e politraumatismos. No total, foram registrados dois óbitos.
Junho foi o mês mais crítico do semestre: 95 acidentes no Miguel Arraes e 40 no Dom Helder. Apesar disso, os dados apresentam queda em relação ao mesmo período do ano passado, quando os hospitais registraram 625 atendimentos no Miguel Arraes e 254 no Dom Helder.
De acordo com o médico Leonardo Canejo, coordenador do setor de ortopedia do Hospital Dom Helder Câmara, as fraturas mais comuns em acidentes de moto envolvem as regiões da perna, pé e tornozelo.
“A longo prazo essas fraturas podem resultar em sérias complicações, como infecções, limitações permanentes de movimento, e até mesmo perda do membro em casos mais graves”, explica Canejo. “Em muitos pacientes, o impacto direto sobre as pernas, sem a devida proteção, agrava o quadro ortopédico e pode levar a sequelas irreversíveis”, explicou.
O médico também ressaltou a importância do uso de equipamentos de proteção adequados, como capacetes e calçados resistentes. “O uso correto de calçados, por exemplo, pode evitar ou minimizar lesões profundas na pele e nos músculos, especialmente nas extremidades inferiores. Já o capacete é fundamental para evitar traumatismo craniano”, destaca. “O ideal é que o condutor esteja sempre com todos os equipamentos de segurança, pois eles reduzem significativamente a gravidade das lesões em caso de acidente”, explicou o médico.