
A presença do deputado federal Eduardo da Fonte no Palácio do Campo das Princesas, no último sábado (13), foi tudo, menos protocolar. Em política, especialmente quando o calendário aponta para 2026, encontros desse porte dificilmente acontecem sem objetivos bem definidos. E quando o anfitrião é a governadora Raquel Lyra, as especulações ganham ainda mais força.
Eduardo da Fonte não é apenas mais um deputado. Ele comanda, em Pernambuco, a federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, hoje a maior força partidária do país em tempo de rádio e televisão, além de deter um dos maiores volumes de fundo eleitoral do Brasil. Em qualquer tabuleiro político, trata-se de uma peça estratégica, talvez decisiva, para quem almeja vencer uma eleição majoritária.
Nos bastidores, dois temas aparecem como centrais na conversa: as articulações para as eleições de 2026 e a possível consolidação de Eduardo da Fonte como candidato ao Senado, a chamada Casa Alta. A hipótese não é nova, mas ganha densidade quando o deputado passa a circular com mais intensidade no núcleo do poder estadual.
Ainda assim, quem conhece Eduardo da Fonte sabe: ele não joga para perder. É um político experiente, de movimentos calculados, que raramente antecipa decisões estratégicas. Sua postura pública segue marcada pela cautela, sobretudo quando o assunto é o apoio ao Governo do Estado na próxima disputa. A visita ao Campo das Princesas, portanto, abre portas, mas não fecha acordos, ao menos por enquanto.
O gesto de divulgar o encontro nas próprias redes sociais também não foi aleatório. Em política, comunicação é mensagem. Ao tornar pública a agenda, Eduardo sinaliza força, protagonismo e capacidade de diálogo com o Palácio, ao mesmo tempo em que mantém abertas outras possibilidades no xadrez estadual. É um recado tanto para aliados quanto para adversários.
Para Raquel Lyra, o encontro também é estratégico. Atrair, ou ao menos manter próximo, um líder partidário com esse peso pode ser determinante em uma eleição que tende a ser dura e polarizada. Para Eduardo, o momento é de observação, escuta e construção. Ele sabe que o tempo joga a favor de quem tem estrutura, mandato e poder de decisão.
Nada indica, por ora, uma definição fechada. Mas uma coisa é certa: Eduardo da Fonte não atravessaria os portões do Campo das Princesas sem propósito. O encontro reforça que 2026 já começou nos bastidores e que o deputado está, como sempre, jogando o jogo longo, onde cautela, timing e poder de articulação valem tanto quanto votos.
No fim das contas, mais do que um encontro, o sábado foi um sinal: quem quiser vencer em Pernambuco terá, cedo ou tarde, que sentar à mesa com Eduardo da Fonte.
Por: Uanderson Melo, jornalista, radialista e teólogo




