
A educação brasileira necessita de uma transformação consistente, eficaz e de longo prazo — um modelo que desperte nos estudantes o prazer de aprender e seja capaz de impulsionar o Brasil rumo ao desenvolvimento. O que se observa, porém, é que a cada gestão surgem mudanças, muitas vezes significativas, que afetam a estrutura educacional do país. Essa instabilidade impede a consolidação de políticas e dificulta avanços mais sólidos. Nos últimos anos, por exemplo, o Novo Ensino Médio foi implantado e posteriormente suspenso para revisão, o que mostra como as alterações frequentes impactam professores, estudantes e gestores. Já programas como a expansão de escolas em tempo integral, a conectividade digital nas instituições e os incentivos de permanência estudantil evidenciam iniciativas que podem render frutos quando mantidas de forma contínua.
Os resultados do Brasil no PISA 2022 revelam a urgência de melhorias. Em leitura, a média brasileira foi de 410 pontos, abaixo de países latino-americanos como Chile (448) e Uruguai (430). Em matemática, o desempenho foi de 379 pontos, enquanto o Chile alcançou 412. Em ciências, o Brasil obteve 403 pontos, novamente distante da média dos países da OCDE, que se situou em 485. Além disso, cerca de 73% dos estudantes brasileiros não atingiram o nível mínimo de proficiência em matemática, frente a 31% na média da OCDE. Apenas 2% dos alunos brasileiros chegaram a níveis de alto desempenho em leitura, contra 7% na OCDE. Esses números deixam evidente o tamanho do desafio.
O ambiente escolar também precisa ser considerado. O mesmo relatório do PISA mostra que, embora os professores no Brasil demonstrem dedicação e atenção aos estudantes — 74% dos alunos afirmaram que os docentes se interessam pelo aprendizado de cada um — problemas de disciplina e distração são mais comuns do que em outros países. Além disso, muitos estudantes relatam falta de segurança no entorno das escolas, o que interfere diretamente no processo de aprendizagem.
Quanto à valorização docente, é importante ressaltar que o país tem avançado em reajustes salariais. O piso nacional dos professores foi atualizado em 2025 para R$ 4.867,77 para jornada de 40 horas semanais. Contudo, quando comparados a países desenvolvidos, os salários ainda são significativamente menores, o que afeta a atratividade da carreira. Apesar disso, a solução para a qualidade da educação não se limita apenas à remuneração: envolve também formação inicial e continuada, boas condições de trabalho, apoio pedagógico e reconhecimento profissional.
Para superar esses desafios, é necessário um pacto nacional que transcenda mudanças de governo. Um plano educacional estável, com metas claras e monitoradas ao longo do tempo, pode garantir continuidade e avanços concretos. Investir na formação de professores, ampliar a educação integral, assegurar infraestrutura adequada, reduzir desigualdades regionais e fortalecer a participação das famílias e comunidades são medidas essenciais. Além disso, programas de recomposição das aprendizagens, especialmente após a pandemia, precisam ser estruturados de maneira perene, garantindo que nenhum estudante seja deixado para trás.
O Brasil tem potencial para transformar sua educação em motor de desenvolvimento. Para isso, é imprescindível alinhar políticas públicas a uma visão de longo prazo, valorizando professores, oferecendo condições adequadas de ensino e aprendizagem, e garantindo estabilidade nas diretrizes. Apenas assim será possível elevar o desempenho dos estudantes, fortalecer a cidadania e consolidar o país no caminho de uma nação desenvolvida.
Jairo Lima é membro da Academia Cabense de Letras, artista plástico e gestor público