
O sistema de pagamentos instantâneos do Brasil, o Pix, acaba de ganhar uma das maiores atualizações de segurança desde sua criação. A partir de 23 de novembro de 2025, entrou em vigor o Mecanismo Especial de Devolução (MED) 2.0, uma ferramenta que permite rastrear e recuperar valores desviados por golpistas, mesmo após o dinheiro ter sido transferido para outras contas. Essa mudança é uma resposta direta ao aumento exponencial de fraudes envolvendo o Pix, que já ultrapassam 400 mil casos por mês no país.
Antes, a devolução só podia ser feita a partir da conta originalmente utilizada na fraude. O problema é que os golpistas costumam sacar ou transferir rapidamente o dinheiro para outras contas, dificultando o rastreamento e a recuperação dos valores. Com o MED 2.0, o sistema passa a rastrear o caminho completo do dinheiro, identificando todas as contas envolvidas na operação fraudulenta. Isso significa que, mesmo que o dinheiro tenha sido transferido para várias contas, há uma chance maior de bloqueio e devolução efetiva.
Como funciona o botão de contestação
Uma das novidades mais impactantes do MED 2.0 é o botão de contestação, disponível diretamente nos aplicativos dos bancos e instituições financeiras. Esse botão permite que o usuário conteste uma transação suspeita de fraude, golpe ou coerção de forma totalmente digital, sem a necessidade de contato com um atendente. Ao acionar o botão, a informação é instantaneamente repassada ao banco do golpista, que deve bloquear os recursos existentes na conta. Segundo o Banco Central, também podem ocorrer bloqueios parciais, dependendo do saldo disponível.
O processo é simples: o usuário entra no aplicativo do banco, localiza a transação suspeita e aciona o botão de contestação. Em seguida, é necessário informar o motivo do pedido (fraude ou golpe) e acompanhar o status da solicitação. O banco do golpista recebe a notificação e inicia o bloqueio dos recursos. A devolução pode ocorrer em até 11 dias após a contestação, desde que haja saldo disponível nas contas envolvidas.
Quem pode solicitar devolução e em quais situações
É importante entender que o MED 2.0 não é um “botão de cancelamento” para qualquer arrependimento. Ele possui regras estritas de uso e só pode ser acionado em situações de fraude comprovada, golpes ou coerção. Casos de desacordos comerciais, arrependimento do usuário ou erros no envio do Pix (como erro de digitação de chave) não se enquadram nas regras do MED. Além disso, o mecanismo não pode ser usado para envio de Pix para a pessoa errada por erro do próprio usuário pagador.
- Golpes de engenharia social (falso funcionário, golpe do WhatsApp)
- Sites falsos
- Invasão de conta (“mão fantasma”)
- Sequestro relâmpago ou violência física
- Falha operacional do sistema bancário (ex: Pix enviado em duplicidade por erro do app)
Impacto das novas regras no combate às fraudes
As novas regras do Pix têm o potencial de desestimular golpistas e fortalecer a proteção dos usuários. O Banco Central espera que o compartilhamento de informações sobre contas usadas em fraudes ajude a impedir que essas contas sejam utilizadas em novos golpes. Além disso, o rastreamento avançado do dinheiro desviado aumenta as chances de recuperação dos valores, tornando o sistema mais seguro e confiável.
No entanto, é importante ressaltar que o MED 2.0 não garante a devolução dos valores em todos os casos. Em algumas situações, pode ocorrer uma devolução parcial ou até mesmo nenhuma devolução, dependendo do saldo disponível nas contas envolvidas. O que o mecanismo oferece é um processo mais robusto e refinado, que aumenta significativamente as chances de recuperação total dos valores, fortalecendo tanto a proteção às vítimas quanto a credibilidade do sistema de pagamentos.
Dicas para se proteger contra fraudes no Pix
Com o aumento das fraudes envolvendo o Pix, é fundamental que os usuários adotem medidas de segurança para proteger seus recursos. Algumas dicas importantes incluem:
- Manter notificações ativas para identificar rapidamente movimentações indevidas
- Utilizar autenticação criptografada e múltiplos fatores, como biometria, reconhecimento facial, confirmação por senha ou token
- Ajustar limites de transferências via Pix, especialmente à noite ou para contatos desconhecidos
- Desconfiar de solicitações de transferência de valores por meio de mensagens ou ligações suspeitas
- Verificar sempre a identidade do recebedor antes de realizar qualquer transferência
O que esperar do futuro do Pix
As novas regras do Pix representam um passo importante na estratégia do Banco Central para reduzir fraudes e golpes envolvendo a ferramenta de pagamentos instantâneos. A expectativa é que, com o tempo, o sistema se torne ainda mais seguro e eficiente, oferecendo maior proteção aos usuários e fortalecendo a confiança no ecossistema financeiro digital brasileiro.




