
O Ministério da Cultura (MinC) anunciou recentemente o lançamento do Programa Rouanet Nordeste, com um aporte de R$ 40 milhões e ampla parceria com importantes estatais, entre eles: Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Caixa Econômica Federal, Emgea, Petrobras, Serpro e Transpetro. Numa ação que visa descentralizar o fomento à cultura e fortalecer a diversidade artística no Nordeste, bem como em municípios do norte de Minas Gerais e do Espírito Santo.
Trata-se do maior edital regional da lei Rouanet desde 2023, consolidando a política de “nacionalização do fomento”, defendida pela ministra da Cultura, Margareth Menezes . O programa contemplará, no mínimo, 103 projetos, reunidos em três faixas de valores: até R$ 200 mil, entre R$ 200 mil e R$ 500 mil, e até R$ 1 milhão , englobando áreas como artes cênicas, música, audiovisual, artes visuais e patrimônio .
A iniciativa ganha reforço com um ciclo de oficinas promovidas pelo MinC e Sesi, que ocorreram em diversas capitais nordestinas, oferecendo capacitação técnica para agentes culturais sobre elaboração, inscrição e execução de propostas, essencial para facilitar o acesso de novos proponentes ao mecanismo.
O Dança Carajás Festival, realizado em Parauapebas (PA), é um festival de dança da Amazônia Legal que já teve aprovação direta da Lei Rouanet e se destacou por democratizar o acesso à formação e circulação artística no interior da região Norte . Embora o festival não faça parte do atual edital Rouanet Nordeste, ele ilustra claramente o impacto transformador que programas de fomento cultural podem exercer em regiões historicamente com menos visibilidade e recursos.
Para estados historicamente menos atendidos pelos mecanismos de incentivo à cultura, o Rouanet Nordeste significa mais do que uma oportunidade, representa a afirmação do protagonismo cultural local, por meio de acesso direto a recursos públicos, sem a necessidade de deslocamento até centros como Rio ou São Paulo. Em regiões onde a cultura muitas vezes depende de iniciativas informais ou de patrocínios frágeis, a entrada de recursos significativos como esse pode promover desenvolvimento econômico, geração de emprego criativo, e reforço do orgulho regional.
“Este investimento simboliza um marco inédito para a cultura nordestina. É a vez do talento da nossa região ganhar apoio estruturado, reconhecendo sua diversidade e sua vocação criativa. Para nós da Brada, é também um sinal forte de que a cultura pode ser vetor de desenvolvimento territorial e inovação social, explica Vanessa Pires, CEO da Brada”.